terça-feira, 12 de novembro de 2013

Aduana

vende compra, paga leva
empresta cobra, taxa juro
sonega nega, todo imposto
importa exporta, abre a porta
da aduana

compra chines, vende inglês
paga dólar, leva ferro
cobra hoje, empresta amanha
exporta importa, abre a porta
da aduana

todo comercio, imposto paga
nega atividade, sonega acao
taxa alta, juro que não
importa exporta, abre a porta
da aduana

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Vida de Gaivota

Gaivota não vota, e nem paga imposto
Numa vida sem deveres, como não ser bem-disposto?
Que contragosto em ser gente e ter que trabalhar
Nesse emprego que não gosto, e tanta conta pra pagar

Gaivota come peixes e também mariscos
E sopa de alga verde. Um banquete com petisco
Que dissabor ser gente e estragar-me o paladar
Com tanto corante e conservante pra a comida não estragar

Gaivota não tem telefone ou comprovante de residencia
E se a praia esta muito fria, muda-se com toda família
Que desgosto ser gente e não ser livre pra voar
Sem raízes, mas ainda preso. E curioso do alem-mar

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Acumulado

Dentro da casa,
a sala esta' vazia.
Dentro do homem,
a alma esta' sozinha.

Fora do homem,
a busca por companhia.
Fora da janela,
A rua esta' vazia.

Na esperanca dos homens,
a casa esta' lotada.
Nos planos nao realizados,
a loterica abarrotada.
Onde a espera de um sonho,
e' a Sena acumulada.

-Daniel Lopez

sábado, 30 de março de 2013

O relogio parou


O homem olhou o relogio
O relogio parou
O relogio parou, mas o tempo nao parou
O tempo nao para
O relogio nao pode parar

Troca-se a bateria, da-se-lhe corda
Esta vivo, voltou a badalar!
Olha em volta e nota que ficou para tras
O tempo em que ficou parado se foi, nao volta mais

De que serve um relogio parado?
De que vale um relogio atrasado?
Teria funcao em outro fuso-horario?

E’ preciso agora correr, adiantar-se
Sobrepor-se ao proprio tempo
Mas o relogio tem sorte,
Uns toques e ajustes e esta de volta aqui,
No agora, no presente, na ativa!

O homem olhou o relogio
Nao tem ele a sorte do relogio
Caso pare, se atrase, nao se atualize
Esta ele ultrapassado, sobrepujado, inutilizado

O homem corre atras do tempo
Atras do seu relogio, desse tempo perdido
Dessa invencao que e’ so’ sua
Desse tempo que se perde olhando relogios

Corre atras do tempo
Acelera o ritmo da vida
Aumenta a pressao da sociedade

Corre atras do relogio
Acelera o ritmo do coracao
Aumenta a pressao do sangue

O relogio olhou o homem
O homem infartou
Massagem cardiaca, desfibrilador?
Ninguem acudiu, nao se pode parar

O relogio olhou o homem
O homem parou
Mas o tempo nao parou
O tempo nao pode parar
O tempo do relogio
O tempo do homem

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O mundo gira

O mundo gira
num eixo invisivel do espaco
todo dia que passa
todo mundo
gira

Meus olhos nao veem o mundo girar
meus ouvidos nao ouvem o mundo girar
meus pes nao sentem o mundo girar
mas o mundo gira
independente de mim

O mundo gira
mas o meu mundo
sem eixo no espaco
segue estatico
nao gira

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ficcao, Interpretacao e Realidade

Eu gosto de ler e leio
Lendo converso com meus amigos
Escritores de outros tempos
Viajo a lugares que nunca estive
Vivo tempos ja’ passados
Penso coisas impensadas

Sao essas experiencias tao minhas
Seladas no silencio da mente
Intimidade de quem escreve e quem le

Seria isso mesmo verdade?
Pois eis que aqui lhes menti
Nada disso era empirico

Minha mente, uma interpretacao fiel do texto
Fidelidade que pertence a mim e a mais ninguem
Outros leitores tem suas versoes prostituidas
Das mesmas palavras, filhas do meu amigo autor

Palavras soltas de uma boca
Impressas numa folha de papel
Nada sao se destituidas de expectador
Inte’rprete que as ateie algum sentido

A uma redacao da-se inumeras interpretacoes
Serao realidades banhadas da mesma fonte
Realidade original travestida em diferentes realidades
Ja nao pode ser real, tudo e’ entao ficcao

Que e’ a realidade senao a vida e so isso
Senao sera ficcao da realidade de alguem

A realidade do outros para mim e’ ficcao
Minha realidade para os outros e’ ficcao

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Mania de Pressao

Meu humor, inconstante, oscila
como as ondas do mar
Tal qual a lua, nasce e renasce
repuxando minhas mares

Meu humor, vitreo, quebra-se em cacos
de amor, odio, euforia e melancolia
Rasgam abertos meus vicios
Perfuram fundo minhas virtudes

Meu humor, patologico, mata
como a um fumante passivo, aos poucos
Desgasta meu corpo
Desbota minha alma

Esse meu humor nao se compara ao seu mau-humor
Meu humor tem essa mania besta depressao